25 de Abril de 2026
A comunidade Portuguesa celebrou o dia 25 de Abril numa noite de cultura, convívio e caldo-verde, falou-se de liberdade e de grande responsabilidade.
Por: Editorial
A comunidade portuguesa em Utah assinalou, na noite de 25 de Abril, o 52.º aniversário da Revolução dos Cravos com um encontro que combinou cerimónia oficial, testemunho pessoal e convívio familiar. Em ambiente descontraído, dezenas de participantes, de diferentes idades, reuniram-se para recordar a data que marcou o fim da ditadura em Portugal e o início do regime democrático, partilhando uma refeição tipicamente portuguesa, com caldo verde, broa e pratos levados pelos próprios convidados.
Portugueses provenientes de todos os cantos do Estado de Utah participaram no convívio.
Cristina Baldaia Costa recorda a sua infância num período de muita transição.
O programa teve início com o hastear da bandeira portuguesa e o entoar do hino A Portuguesa, num momento simbólico de homenagem à democracia e à liberdade. Seguiram-se as intervenções do Cônsul Honorário de Portugal em Utah, Luís Camara Manoel, e de representantes da Portuguese Heritage Alliance of Utah (PHAU), que sublinharam a importância de manter viva a memória do 25 de Abril junto da diáspora e, em particular, das novas gerações nascidas ou crescidas fora de Portugal.
A primeira oradora da noite foi Cristina Baldaia Costa, vice-presidente da Portuguese Heritage Alliance, que apresentou um testemunho em tom pessoal sobre a sua infância em Portugal antes de 1974. Nas suas palavras, descreveu o ambiente em casa e na escola durante o regime anterior, o impacto das restrições políticas e sociais na vida familiar e as mudanças sentidas após a Revolução. O relato contribuiu para contextualizar, em termos humanos e concretos, a transição do país para a democracia.
"O legado do 25 de Abril implica uma responsabilidade cívica contínua"
Numa apresentação subsequente, o Cônsul Honorário, Luís Camara Manoel, recordou os principais acontecimentos dos dias 24 e 25 de Abril de 1974, destacando a ação dos militares, o papel da sociedade civil e o significado duradouro da Revolução dos Cravos. Sublinhou, em particular, que a democracia não é autossustentável nem permanentemente garantida após ser conquistada, exigindo cuidado, participação e vigilância constantes. Referiu ainda que a experiência histórica demonstra que as instituições democráticas tendem mais a degradar-se gradualmente — através da apatia, do desinteresse e do enfraquecimento silencioso de normas e liberdades — do que a ser destruídas de forma repentina.
Luis Camara Manoel, Consul Honorário sublinhou que a democracia exige participação .
Ao longo das intervenções, foi reiterada a ideia de que o legado do 25 de Abril implica uma responsabilidade cívica contínua. Entre os pontos enfatizados pelos oradores, destacou-se a necessidade de os cidadãos se manterem informados, participarem no debate público, exigirem transparência e responsabilização às lideranças políticas e exercerem o direito de voto. O voto foi qualificado como uma das formas mais significativas de expressão da liberdade, ao mesmo tempo direito fundamental e dever democrático.
O encontro, organizado pela Portuguese Heritage Alliance em cooperação com o Consulado Honorário de Portugal em Utah, terminou com um potluck comunitário, no qual o caldo verde foi fornecido pela organização e cada participante contribuiu com um prato simples para partilha. Entre conversas, memórias e histórias transmitidas entre gerações, vários presentes manifestaram interesse em participar em futuras iniciativas culturais e cívicas ligadas à comunidade portuguesa em Utah. A sessão encerrou com a reafirmação do compromisso de continuar a celebrar o 25 de Abril como momento central da identidade democrática portuguesa, mesmo a milhares de quilómetros de distância.