7 de Outubro, 2026
A extraordinária coragem moral do diplomata português Aristides de Sousa Mendes esteve em destaque num evento realizado a 7 de outubro na Universidade Brigham Young, que contou com a participação da Dra. Olivia Mattis e do Cônsul Honorário de Portugal no Utah, Luís Câmara Manoel. Sob o título «A consciência em tempos de crise», a iniciativa destacou o legado de um homem que desafiou ordens governamentais para ajudar refugiados a escapar à perseguição nazi.
Por: Editorial
A Dra. Olivia Mattis, presidente da Fundação Sousa Mendes e descendente de Daniel Mattis, sobrevivente do Holocausto a quem Sousa Mendes concedeu um visto.
O Cônsul Honorário, Luís Câmara Manoel, fala sobre a coragem de Aristides de Sousa Mendes perante um dilema moral impossível.
A consciência em tempos de crise: BYU destaca o heroísmo de Aristides de Sousa Mendes
O Departamento de Espanhol e Português da Universidade Brigham Young apresentou, no dia 7 de outubro de 2026, a iniciativa «A consciência em tempos de crise: o heroísmo de Aristides de Sousa Mendes». O evento, realizado no Auditório Reynolds da Biblioteca Harold B. Lee, contou com a participação da Dra. Olivia Mattis, presidente da Fundação Sousa Mendes e descendente de Daniel Mattis, sobrevivente do Holocausto a quem Sousa Mendes concedeu um visto, e de Luís Câmara Manoel, primeiro Cônsul Honorário de Portugal no Utah.
No centro da iniciativa esteve o dilema moral enfrentado por um diplomata português cuja decisão de seguir a sua consciência ajudou refugiados a encontrar um caminho para a segurança durante um dos períodos mais sombrios da história europeia.
No exercício das suas funções como cônsul de Portugal em Bordéus, em junho de 1940, Sousa Mendes viu-se confrontado com os apelos desesperados de pessoas que fugiam do avanço nazi em França. Apesar das instruções explícitas do seu governo que restringiam a concessão de vistos, decidiu emiti-los a refugiados que deles necessitavam, incluindo judeus que procuravam escapar à perseguição.
A sua resposta foi simultaneamente determinada e compassiva. Sousa Mendes concedeu vistos a quem deles precisava e isentou do pagamento de emolumentos as pessoas sem meios para os pagar. Com a colaboração de familiares e de outras pessoas no consulado, emitiu documentos que abriram uma via de saída de França, através de Espanha e de Portugal.
A sua história suscita questões intemporais sobre os deveres inerentes ao serviço público e a coragem necessária para proteger a vida humana quando as políticas oficiais o impedem.
Luís Câmara Manoel com a Dra. Olivia Mattis, o seu pai, o Dr. Daniel Mattis, professor de Física a quem Sousa Mendes concedeu um visto, e a esposa deste, Noemi Parelman Mattis, psicóloga.
À apresentação seguiu-se um breve debate, durante o qual os estudantes colocaram questões sobre as circunstâncias que envolveram a ação de salvamento de Sousa Mendes.
Essa decisão teve um elevado custo pessoal. Sousa Mendes foi alvo de sanções disciplinares, e Portugal só o reabilitou plenamente em 1988, décadas após a sua morte. Em 1966, o Yad Vashem reconheceu-o como Justo entre as Nações pelos seus esforços para salvar judeus durante o Holocausto.
A história de Aristides de Sousa Mendes tem uma ligação pessoal ao estado do Utah através de Daniel Mattis, pai de Olivia Mattis, que aí se estabeleceu e se tornou professor na Universidade do Utah. Em 1940, quando tinha sete anos e fugia à perseguição nazi, Daniel e a sua família obtiveram de Sousa Mendes os vistos que lhes salvaram a vida. O seu percurso posterior no Utah liga o extraordinário ato de consciência do diplomata português à nossa própria comunidade, tornando esta história especialmente significativa para o público local.
O título da iniciativa colocou a consciência e a responsabilidade moral no centro do seu legado. A sua história suscita questões intemporais sobre os deveres inerentes ao serviço público e a coragem necessária para proteger a vida humana quando as políticas oficiais o impedem.
À apresentação seguiu-se um breve debate, durante o qual os estudantes colocaram questões sobre as circunstâncias que envolveram a ação de salvamento de Sousa Mendes e refletiram sobre a forma como o seu dilema moral se poderá colocar nos dias de hoje.
O evento foi organizado por Rex Nielson, professor de Português e diretor do Centro de Humanidades da BYU, em colaboração com o Consulado Honorário de Portugal no Utah e a Fundação Sousa Mendes. Contou com o apoio da Cátedra Jorge de Sena, do Departamento de Espanhol e Português da BYU e do Conselho para o Diálogo Inter-Religioso da BYU.